Formação Inicial

Formação Inicial da FASFHIC
Os Fundadores e a sua devoção mariana
 
O fim de semana de 21 e 22 de janeiro constituiu mais uma oportunidade de reencontro da Família Secular Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição.
O encontro de formação aconteceu em Linda-a-Pastora, na CONFHIC, contou com cerca de 50 participantes e nele foi dado a conhecer os Fundadores – sua época, sua motivação e suas devoções.
No primeiro dia, após uma oração da manhã de caráter mariano - “Senhora que pretendes de mim?”, os participantes tiveram a oportunidade de colocar em contexto o Padre Raimundo Beirão e a Beata Maria Clara do Menino Jesus, com a apresentação em paralelo dos grandes acontecimentos do século XIX e a vida daquelas duas figuras, qual delas a maior. Num século conturbado por revoluções, bancarrotas, perseguição às ordens religiosas e dominado pelos ideais maçónicos e liberais, um Padre Franciscano, Frei Raimundo dos Anjos Beirão, atreveu-se a percorrer Portugal como missionário apostólico a fazer o bem, “onde houver o bem a fazer”...
Apesar do vilipêndio a que foi sujeito e da pressão familiar, o Padre Beirão não desistiu e acabou por cruzar o seu destino com o de uma jovem religiosa, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus. Esta, oriunda de uma família nobre, com forte formação religiosa, viu a sua vida modificada aos 14 anos, quando ficou órfã.
Acolhida numa instituição e vendo as religiosas que a acolheram serem mandadas embora, foi viver com uns seus familiares, frequentadores dos meios mundanos. No entanto, a vida mundana não só não a tenta como a levou a procurar o Pensionato de S. Patrício onde tomou a decisão de ingressar na vida religiosa.
Como não era permitido o noviciado em Portugal, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus foi para França, aconselhada pelo Padre Beirão, e quando voltou a Portugal, reencontrou-o e juntos fundaram, em 1876, a Associação de Beneficência das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus, que mais tarde tomou o nome de Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.
Após a morte do Padre Beirão, ocorrida em 1878, Madre Maria Clara do Menino Jesus, carinhosamente apelidada de Mãe Clara, continuou a obra que havia empreendido não sem que a Congregação se visse obrigada a mudar de instalações, fosse perseguida e sujeita a todo o tipo de dificuldades.
Estes problemas deixaram sequelas na saúde de Mãe Clara e, em 1899, a Madre Maria Clara do Menino Jesus morreu, no dia 1 de dezembro.
Contudo, o seu legado perdura: junto dos pobres, dos doentes e dos órfãos, de aquém e de além-mar, pois a Madre Clara do Menino Jesus, em 1883, tornou a sua Congregação a primeira a enviar mulheres missionárias para o Ultramar – primeiro Angola, depois Índia, depois Guiné...e noutros locais onde ainda hoje se encontram.
Continuando a reflexão sobre a fé que movia os Fundadores, a tarde do dia 21 revelou a grande devoção a Nossa Senhora, por parte do Padre Beirão, cujas pregações na Igreja da Conceição Velha, em Lisboa, ficaram célebres. Também a Madre Maria Clara do Menino Jesus era devota de Nossa Senhora, que com o seu “SIM” permitiu que Jesus viesse ao mundo para nos salvar: Nossa Senhora da Imaculada Conceição e Nossa Senhora das Dores estavam presentes nas suas devoções.
Esta apresentação constituiu o ponto de partida para uma reflexão em grupo a partir de textos do Padre Beirão e de relatos sobre a Beata Maria Clara do Menino Jesus.
A noite terminou com uma oração na cripta, onde todos foram convidados a levar Maria para sua casa, à semelhança do discípulo amado (Jo 19, 27)
A manhã do segundo dia trouxe uma oração também de cariz mariano – ou não fosse o tema de formação da FASFHIC neste ano em que se celebra o Centenário das aparições de Fátima, “A toda vestida de branco”.
O período da manhã foi preenchido com a apresentação da vice postuladora do processo da canonização da Beata Maria Clara do Menino Jesus, Irmã Maria Lucília de Carvalho (ifhic), alusiva à tramitação e ao ponto de situação do processo de canonização.
O encontro terminou com o almoço.
Fica aqui um agradecimento à CONFHIC, que seguindo o seu carisma hospitaleiro, soube receber esta Família Secular e seus amigos num ambiente de alegre convívio fraterno.
Paz e Bem